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Citopatologia Cérvico-vaginal |
MÉTODO1 PRINCÍPIOS DO MÉTODO O epitélio escamoso estratificado do colo uterino é constituído de células
que se distribuem em suas camadas basal, para-basal, intermediária e
superficial, seguindo essa ordem de maturação fisiológica. A mucosa
endocervical é constituída de epitélio glandular. O exame citopatológico consiste na análise microscópica de material
coletado do colo do útero e da vagina, fixado em lâmina e corado,
preferencialmente, pela técnica de Papanicolau. A imagem observada ao microscópio é comparada com a imagem normal,
gravada na memória do observador. Através da análise topográfica das células,
das características nucleares e citoplasmáticas, a normalidade dessas
estruturas é definida e diferenciada das anormais. A lâmina deverá ser identificada no momento da colheita e anexada à
ficha da paciente, corretamente preenchida. A identificação deverá ser
feita colocando-se o número do exame, as iniciais do nome da paciente e a
data da colheita na extremidade fosca da lâmina com lápis de grafite. A colheita das secreções do fundo de saco vaginal posterior, da ectocérvice
e da endocérvice se faz com uma espátula de madeira e uma escova plástica. O material colhido deve ser espalhado pela lâmina e colocado em uma solução
fixadora, preferencialmente, o álcool absoluto. Após a correta colheita do material, seu espalhamento adequado, sua fixação
na lâmina e coloração apropriada, a leitura seguirá regras bem
estabelecidas. 2 FALHAS DO MÉTODO O índice de falso-negativos é, em média, de 20 (vinte) por cento,
tendo importantes repercussões no tratamento e seguimento dessas
pacientes. Os testes falso-negativos podem ser classificados em 3 (três)
categorias: 1 Erro de amostragem - sem células diagnósticas no esfregaço; 2 Erro de leitura – com células diagnósticas no esfregaço, mas com
varredura do esfregaço insuficiente; 3 Erro de interpretação – com células diagnósticas no esfregaço,
com varredura suficiente do esfregaço, mas com interpretação errônea
das células. Geralmente se considera a obtenção do esfregaço cervical um
procedimento simples e de execução fácil, o que não é verdade. Erro de amostragem ou de coleta é a maior causa de falso-negativos. A
citologia pode morrer na coleta. O método não tem alcançado as populações de alto risco. Certas
categorias de população de alto risco escapam ao rastreamento, enquanto
outras, de menor risco “superconsomem” o método. 3 OTIMIZAÇÃO DO MÉTODO Para uma avaliação satisfatória, as amostras devem estar: a)
apropriadamente identificada; b)
com história clínica pertinente; c)
bem fixada e corada; d) com células ecto e
endocervicais no esfregaço. Uma amostra cervicovaginal adequada deve conter uma quantidade suficiente
de células pavimentosas bem preservadas, cobrindo mais de 10% da superfície
da lâmina e, no mínimo, dois grupos de células endocervicais ou metaplásicas
bem preservadas, com cada grupo composto de, pelo menos, 10 células. Desde que a maior parte das lesões pré-malignas e malignas tem origem
na junção escamo-colunar (JEC), se o esfregaço contiver quantidades
adequadas de células escamosas e metaplásicas e/ou endocervicais, a
probabilidade de que células atípicas estejam presentes na amostra é
maior. Para de obter amostra celular da cérvice uterina, esta deve ser
visibilizada com a ajuda de um especulo vaginal introduzido sem
lubrificante e antes de qualquer exame digital. As pacientes devem ser orientadas a não fazer uso de duchas vaginais, não
usar drogas e não ter relações sexuais nas últimas 48 horas que
antecedem o exame. Evitar situações em que haja sangramentos e infecções.
Quando houver sangramento, o fixador de lise deve ser usado pelo tempo
necessário à destruição das hamácias (1 a 4 horas). O fixador de lise (lisa as hemácias) é constituído de uma solução
contendo álcool absoluto e ácido acético glacial na proporção de 3:1
(3 partes de álcool absoluto e 1 parte de ácido acético glacial). Após fixação do esfregaço, a lise das hemácias poderá ser feita com
a solução de lise (ácido acético a 1%). Coloca-se a lâmina,
previamente fixada, até o clareamento adequado. Procede-se, em seguida,
nova fixação no alcool absoluto. Quando houver excesso de secreção, esta deve ser removida delicadamente
com gaze antes da coleta, para evitar esfregaços muito purulentos, que
dificultariam a leitura. |
